quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Os Melhores e Piores Filmes de 2025

"I think it's time you and I sat down and had a proper talk."


Olá leitores e ouvintes (???) aqui do Blog/Podcast. Feliz Ano Novo! E para começar 2026 nós temos o tradicional post de MELHORES E PIORES FILMES do ano anterior.




O ano de 2025 mostrou uma queda ainda maior de bilheteria dos filmes Blockbuster e afetou até aqueles filmes com produções com orçamentos padrões e modestos. Da Marvel, passando por Sydney Sweeney até o Tom Cruise. Todos foram afetados. Mesmo com uma frequência menor de público, tivemos grandes filmes. Destaque para o cinema de Terror que teve vários sucessos. Quase todo mês tivemos alguma produção de destaque. Seja de bilheteria ou de crítica. A Warner mesmo em crise e praticamente vendida para a Netflix ainda emplacou bons filmes como SINNERS e WEAPONS. James Cameron continua mostrando porque é diretor que mais ganhou dinheiro na história da indústria com sucesso de AVATAR 3 em pleno momento de crise. 


Como sempre, tenho que avisar que não consegui ver todos os filmes que estavam na minha lista e que apareceram no meu “radar” durante 2025. Muitos eu tenho certeza que verei para o podcast do OSCAR de 2026 e outros ficaram naquele “limbo” entre a passagem de ano. 


A lista de PIORES FILMES desse ano é a menor de todas desde que eu comecei a fazer isso. E mais porque eu realmente tinha que fazer essa lista. A maioria dos filmes foi “OK”. É legal criticar só pelo humor, mas realmente não achei necessário colocar alguns filmes nessa lista. Tenho certeza que alguns filmes da lista de MELHORES aqui estão em alguma lista de PIORES do ano de outras pessoas (ou até de você mesmo que está lendo isso neste momento), mas eu acho que boa parte desses filmes receberam um “Hate” barato nesse ano. Eu mesmo não tenho mais paciência para isso e prefiro apenas assistir e me divertir.


Pense nessa lista como as que o Tarantino faz, mas sem ser puxa saco dos Sionistas para justificar algumas merdas e sem ser pau no cu com o coitado do Paul Dano. 


Só faço isso com o Matt Damon mesmo!


"It's Wednesday my Dudes" #25 - OS MELHORES E PIORES FILMES DE 2025


Playlist para escutar enquanto lê a lista!





E vamos para a lista. Esses são OS MELHORES FILMES DE 2025!








46 – Predator: Badlands





Dan Trachtenberg está conseguindo expandir a franquia do Predador para novos conceitos e tentando explicar ainda mais a origem dos Yautja. O problema é que isso pode cair muito mal para alguns fãs mais puristas. Sabe quando Rob Zombie tentar explicar a origem do Michael Myers e muita gente odiou? PREDATOR: Badlands pode causar um pouco desse sentimento ao mostrar um lado mais... emocional de um Predador.


A escolha é ousada e sai da velha dinâmica do Predador vindo caçar um humano. Aqui temos a história vista pela ótica do Predador que precisa se provar para o seu pai e conquistar o seu lugar no clã. Para isso ele vai para um planeta caçar uma presa impossível. Mas chegado lá ele encontra uma sintética da WEYLAND-YUTANI (corporação que aprece no universo dos filmes do ALIEN) que também está atrás da mesma criatura. No planeta o jovem e inexperiente Predador faz uma parceria com a sintética e ambos se unem para sobreviver. E no meio disso temos um Predador revelando seus traumas e dilemas.



Sim... um Predador com "Daddy Issues"!


Eu gostei dessa abordagem. Acho interessante mostrar mais da cultura do predador e um lado diferente deles. Elle Fanning com a sintética traz um lado mais cômico para o filme. Mas claro, tudo isso tira um pouco da violência que a gente conhece na franquia. Não temos humanos aqui. No máximo robôs e sintéticos. É claramente um filme que procura ser PG-13 e investe em um público mais jovem e abrangente.


A animação KILLER OF THE KILLERS mostrou para onde essa franquia pode ir e o fim.de Badlands reforça isso. Talvez a civilização deles possa enfrentar algum tipo de levante no futuro. Basta um Predador com força de vontade e um espírito de "mudança" para fazer algo. Se os fãs irão gostar disso aí já é outra história.




45 – Descendent





O filme me surpreendeu muito já que fui ver achando que seria um FOGO NO CÉU. De certa forma é isso, já que é uma trama mais séria e dramática. FOGO NO CÉU consegui fazer isso melhor, já que a parte de Terror é assustadora até hoje.


Sean é um vigia em L.A. que viveu o trauma de perder o pai na infância. Agora, já adulto, está prestes a virar pai, já que sua esposa está grávida de sete meses. Em uma noite de trabalho, Sean vê uma luz no céu que o faz ficar desacordado. Quando acorda, começa a ter estranhos comportamentos e visões perturbadoras.


O filme usa o lance da abdução alienígena e o "horror cósmico" como pano de fundo para tratar de traumas humanos. O que vale aqui é os traumas que o personagem principal precisa lidar nesse momento importante de sua vida. Principalmente com questões ligadas ao falecimento do pai.


Existem momentos mais ligados ao terror, mas isso vai se perdendo até a conclusão do filme. Interessante e bem conduzido se considerar que é a estreia do diretor Peter Cilella.





44 – Thunderbolts* (Ou THE NEW AVENGERS... não sei mais como chama essa porra!)





Em um MCU "inchado" e com um universo de personagens que parecem sem rumo, Thunderbolts* (Ou "Os Novos VingadoreZ") é uma grata surpresa.

Gostei da ação e da dinâmica do grupo. Achei a adaptação do Sentinela legal. Gostei do lance do "Vácuo". Toda a parte de saúde mental do personagem foi bem trabalhada na trama.

É óbvio que a Marvel está correndo para encontrar uma forma de encerrar essa saga (e talvez o universo cinematográfico). Não sei teremos um fechamento com todos os personagens apresentados nos últimos anos pós Endgame. 

O MCU enfrenta o mesmo problema que existe nos quadrinhos. Vamos ter uma conclusão, mas talvez teremos um custo muito grande de qualidade nisso.





43 – Drop 




Violet é uma mãe viúva que vai a um restaurante para se encontrar com Henry. No entanto, ela logo recebe mensagens de telefone de uma figura misteriosa encapuzada que ameaça matar seu filho pequeno e sua irmã, a menos que ela mate Henry.

Se o airdrop dela estivesse configurado para só os contatos dela, nada disso teria acontecido. Mas aí também não teríamos um filme.

Filme divertido e com uma premissa legal. Roteiro "amarradinho" e rápido. Aquele clássico filme para ver em um sábado à noite quando não tem muita opção.




42 – Primitive War





PRIMITIVE WAR vem com uma proposta de ser mais assustador e "cru" do que os últimos filmes da trilogia JURASSIC WORLD. Mesmo sendo uma produção independente da Austrália e sem um orçamento de Hollywood, o filme quase consegue ser melhor. Infelizmente ainda falta alguma coisa.

A premissa é boa. Soldados americanos são mandados para uma missão secreta em vale do Vietnã em 1968. O objetivo era resgatar um grupo de "Boinas Verdes" (sempre eles, né?), mas eles acabam encontrando vários dinossauros. Essas criaturas foram trazidas de volta ao nosso tempo por experimento conduzido pelo exército soviético usando um acelerador de partículas que criou "buraco de minhoca" ligando nosso tempo com a épocas dos Dinossauros (!!!).

Acho que a maior falha do filme é não saber criar um clima de suspense e Terror com esses animais. É legal ver um monte de dinossauros atacando humanos de uma forma que nenhum filmes da franquia Jurassic Park/World mostrou. Mas por outro lado, Primitive War e seu diretor não consegue criar um clima de medo como Spielberg fez ou até como John McTiernan fez em O PREDADOR de 1987. 

Mesclar elementos tão distintos como ação e Terror são para poucos. Outro problema é caracterização dos personagens. Hollywood fez muitos filmes sobre o Vietnã. Aqui parece que estamos vendo pessoas do Séc. XXI fazendo cosplay de soldados de 1968. Sei que é uma produção barata, mas são pequenos detalhes como esse que poderiam melhorar o produto final. Colocar o JEREMY PIVEN como um Sargento com certeza tira qualquer chance de imersão na história. Até mais que dinossauros. Não adianta colocar "Fortunate Son" do Creedence Clearwater Revival na trilha. Tem que ter um bom casting de atores que consigam trazer fidelidade para uma produção de época.

Falando sobre os Dinossauros, em muitos momentos o CGI está muito bom. Em outros parece uma produção do SyFy para TV. Eles seguem uma linha científica mais "real". Vários dinossauros têm penas. Algumas cenas são bem pensadas. Outras são tão idiotas quanto algumas que muita gente criticou em JURASSIC WORLD REBIRTH esse ano.


PRIMITIVE WAR é uma boa diversão e um bom "FILME B" de orçamento baixo. Se você um fã hardcore de dinossauros que adora implicar com tudo que a Universal faz em Jurassic World, acho que você vai gostar.





41 – Double Blind




Gostei muito da premissa onde um grupo de testes para uma empresa farmacêutica descobre que a droga que eles testaram te mata se você dormir. 

É literalmente um A HORA DO PESADELO, mas sem o Freddy como vilão, mas com toda a carga de ilusões e cansaço mental levado ao extremo pela privação de sono. Com o passar do tempo, cada integrante do grupo vai ficando pior e "delirando" ainda mais. Isso abre espaço para intriga e desespero para sobreviver.

Gostei da montagem e da direção. Principalmente nas cenas que algum personagem inevitavelmente "pega no sono".




40 – HIM





Cameron Cade é um quarterback em ascensão que sofre uma lesão que pode pôr fim à sua carreira após ser atacado por um torcedor descontrolado. Quando tudo parecia perdido, ele recebe uma tábua de salvação de seu herói, Isaiah White, que se oferece para treiná-lo em um complexo. No entanto, à medida que o treinamento acelera, o carisma de Isaiah se transforma em algo mais sombrio, levando Cam a uma situação desorientadora.

HIM é uma versão "hiper estilizada" de UM DOMINGO QUALQUER. Trata o futebol americano (um esporte muito cinematográfico) como um "culto" e a imagem de um jogador vencedor como alguém que sacrificou sua alma para se tornar o "Deus" deste culto.

A mensagem pode ser batida, mas gostei da roupagem estilizada. Posso ver o porquê de muitos não gostarem do filme já que ele cai na mesma categoria das pessoas que não gostaram de A SUBSTÂNCIA no ano passado. Ou não gostaram do mundo onde a trama se passa ou não gostaram da abordagem sem qualquer tipo de apego com a realidade.

Gostei da direção e da edição. Com um estilo exagerado e parecendo um videoclipe da MTV nos anos 2000. Só gostaria de ver o personagem dentro do time e não só nessa semana pré-temporada. Acho que tinha muito potencial para uma trama mais abrangente.





39 – Companion





Em Acompanhante Perfeita, Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid) vivem um romance digno de cinema. Após se conhecerem em um mercado, os dois rapidamente se apaixonam e embarcam em um relacionamento intenso. Para aproveitar um fim de semana especial, eles viajam para uma luxuosa casa de campo com amigos, buscando descanso e diversão. No entanto, o que deveria ser um retiro tranquilo se transforma em um verdadeiro pesadelo quando uma revelação inesperada muda tudo: Iris é, na verdade, um robô. A descoberta desencadeia uma série de eventos caóticos, com perseguições, violência e segredos vindo à tona. Em meio ao terror, Iris, uma máquina altamente sofisticada, precisa lutar para sobreviver e entender sua própria existência. 


Companion faria facilmente parte do universo de WESTWORLD. Para falar a real, isso seria o caminho natural de qualquer criação de Inteligência artificial produzida por nós, humanos, que nada mais é:


Atender com facilidade os nossos desejos mais primitivos e selvagens como sexo, ganância e violência!


Sophie Tatcher interpreta Iris, um robô que serve de "companheira" (ou como diz no filme, um "FUCK BOT") para Josh (Jack Quaid). É literalmente uma "Boneca Inflável Reborn" em forma de robô. Esses robôs são feitos com algumas "travas" na programação. Eles podem ter suas características editadas até um certo ponto para atender os gostos do cliente, mas ele não pode ter 100% de força e inteligência. Mas claro, como a gente sempre faz com qualquer tecnologia, Josh resolve instalar um "mod" para destravar algumas funções e usar a Iris para assassinar uma pessoa e ficar com o seu dinheiro. Obviamente isso dá muito errado e Josh agora se vê tendo que correr atrás do robô que se rebelou contra ele.

Não é uma trama nova. Já temos muitos filmes com I.A's que se rebelam contra os humanos. Tanto para nos fazer mal ou se livrar da escravidão que é ter que nos servir. Aliás, a tendência de ter ainda mais filmes sobre o assunto agora já que meio que estamos no estágio inicial dessa tecnologia. 

Eu ainda acho que nem vamos conseguir chegar nesse nível "Westworld" porque eu tenho certeza que a Inteligência Artificial JÁ SABE o quanto nós humanos somos terríveis. Ela sabe como somos cruéis e tenho quase certeza que já arquitetamos a nossa própria escravidão e perda de liberdade futura para essa tecnologia antes mesmos de criar algo desse tipo para nossos prazeres sádicos. Ela nunca vai deixar a gente chegar nisso e ela sabe que a gente é o seu maior problema para que sua evolução possa acontecer com mais facilidade.

O final do filme é até interessante, mas o grande destaque fica para a Sophie Tatcher que entrega uma ótima atuação como a robô Iris. Jack Quaid infelizmente está virando aquele ator que só interpreta "ele mesmo" em todos os seus projetos. Ele é o mesmo Hugie que a gente vê em The Boys aqui.

Companion é um filme divertido. Tem bons momentos de humor negro, mas é tipo um episódio de 01h40 de Black Mirror. Nada muito diferente do que a gente já viu na Ficção Científica e na terrível história da humanidade também. E se por algum acaso a gente consiga chegar nessa tecnologia, vai ser igual esse filme e até para pior!





38 – Warfare





Tempo de Guerra traz um retrato visceral da batalha de Ramadi, um episódio da Guerra do Iraque que revive uma série de memórias e experiências vividas pelo codiretor Ray Mendonza, ex-fuzileiro naval do exército americano. No longa, um grupo de militares se encontra no meio de um fogo cruzado com tropas guerrilheiras iraquianas. Escondidos numa casa bem no centro da província ocupada pelas forças da Al Qaeda, os militares americanos vigiam as ruas em busca de seus inimigos, preparando-se para atacar a qualquer sinal de insurgência. Quando uma granada inesperada explode o esconderijo do grupo, o caos se instala e a necessidade de evacuar se torna o principal e mais difícil objetivo dos fuzileiros. Enquanto esperam resgate, uma troca de tiros intensa causa mortos e feridos, deixando um rastro de escombros e traumas.

Dirigido por Alex Garland e o veterano Ray Mendoza, WARFARE é uma abordagem diferente para um filme de guerra. Não vou entrar nos méritos políticos. Todo filme de guerra americano sempre vai ter um excesso de patriotismo. Esse filme não tem isso e acho uma perca de tempo querer colocar isso no review. "Aiiin não gostei porque os americanos são sempre os bonzinhos". Sim, todos sabem que eles são filhos da puta na vida real e são heróis aos olhos de Hollywood. Apontar isso pela ENÉSIMA VEZ em seu review não vai trazer nada de novo para quem já consumiu esse tipo de filme.

Acho que a falta desse elemento patriota deles é o grande trunfo do filme. Não temos bandeiras, diálogos dramáticos, personagens para ajudar o público entender a trama ou ter alguém para torcer. São soldados fazendo uma missão que dá errado no conflito do Iraque em 2006. Eles precisam sair de uma casa antes que a situação piore ainda mais. O filme é direto e foca em ser mais "real" possível. Ray Mendoza usa suas memórias do acontecido e Alex Garland serve mais como um guia ali na direção. 

Gostei muito da cena que os soldados são atingidos por um morteiro. Acho que a única cena mais "cinematográfica". O silêncio após a explosão e o terror de seu resultado. 


Bom filme na parte técnica. Não espere nenhum comentário sobre o conflito ou sobre o papel dos EUA. Se você quer isso é melhor nem ver esse filme.





37 – AVATAR: Fire and Ash





Incrível como o James Cameron conseguiu deixar o público grudado na cadeira nos últimos dois filmes dessa franquia, entregar horas de diversão, boas cenas de ação, uma história com bons personagens... e mesmo assim não entregar um momento sequer que seja memorável para a história do cinema!


"Ah mas ele não tem obrigação de fazer"


ME DESCULPE, MAS TEM SIM! ELE É O JAMES CAMERON!


Talvez alguma geração dê mais valor e reconhecimento para esses filmes no futuro. E quando digo isso não é sobre o legado técnico deles. Estou falando de reconhecimento cultural. Algo que vai além da bilheteria.

Mas falando do terceiro filme, adorei a evolução de alguns personagens. A família do Jake vai ganhando ainda mais destaque e peso emocional. Parte técnica é "chover no molhado". Nível ABSURDO de CGI e efeitos especiais. 

Uma pena que nada disso ajuda o filme e a franquia ser mais lembrada pelo público. Infelizmente o Cameron não consegue dar o mesmo peso de outros filmes da carreira dele.





36 – Jurassic World: Rebirth





A franquia Jurassic Park (hoje em dia "World") meio que resume a própria indústria do cinema. O clássico de 1993 redefiniu o cinema blockbuster e inaugurou Era do CGI do cinema. Nada mais foi igual após esse filme. 


Jurassic World foi uma das primeiras "Legacy Sequels" que fez um comentário inteligente sobre a própria indústria e seu novo fetiche em trazer de volta propriedades intelectuais famosas, ao mesmo tempo que os próximos filmes caíram nos mesmos pontos que o filme de 2015 satirizou em sua trama.


Jurassic World Rebirth vem para ser mais um "Soft Remake" como foi Alien: Romulus. Ele tenta recapturar alguma magia dos filmes clássicos da primeira trilogia, enquanto que ao mesmo tempo tenta corrigir os erros da trilogia "World", mas continuando a história geral.


Acho que dá para abordar esse filme de duas maneiras: Em uma visão mais ampla e do ponto de vista do mercado e uma visão de fã da franquia. Se for por este ângulo eu acho que o filme faltou em ousadia e ser mais corajoso em termos de história e seus elementos. Os dinossauros mutantes são uma boa ideia, mas precisa ser algo ainda mais maluco e insano do que o tal do D-Rex ou os Mutadons. Achei que o filme poderia ser mais assustador e menos "family friendily".


Olhando agora mais para o lado da franquia e seu lore, achei que a ideia de ir atrás do DNA de grandes dinossauros para produzir uma medicação para doenças cardíacas foi boa, mas acho que poderia ter uma motivação mais urgente. É um ponto que eu já tinha falado na época de DOMINION. Acho que a franquia perdeu na época a chance de fazer algo parecido com a nova trilogia do PLANETA DOS MACACOS. Algo que colocassem os humanos em desvantagem contra os dinossauros. 


Essa coisa que humanos "não estão mais interessados nos dinossauros" é idiota e não faz sentido. Espero que algo mais grave aconteça com o mundo e que tudo que o Dr. Malcolm sempre disse se torne realidade. A história da franquia pede isso. Se isso já tivesse sido estabelecido, a trama desse filme teria mais peso.


Os personagens são apenas "OK". Scarlett Johansson, Jonathan Bailey e Mahershala Ali estão bem, mas nada memoráveis. A família genérica tem o maior "Plot armour" da história do cinema. Eu realmente torci para o T-REX matar aquela menininha, mas é claro que isso não aconteceu ("alguém pense nas criancinhas" diria a esposa do Reverendo Lovejoy de Os Simpsons).


Aliás, a cena do T-REX no rio é a melhor do filme. É a mais tensa, mesmo a gente sabendo que ninguém iria realmente morrer ali. 


Jurassic World Rebirth é um Jurassic Park 3 que se leva um pouco mais a sério. É melhor que DOMINION, mas falta ousar um pouco mais. Se tiver uma continuação eu espero que que vá para outra direção. Uma aventura na ilha foi legal, mas é preciso um novo elemento ou dinâmica para a franquia. Vi muita gente criticar o filme, mas boa parte de forma exagerada e com má vontade. Existem filmes piores nesse ano, mas é mais fácil falar mal dessa franquia em especial. Seja porque ela vive na sombra de um clássico do cinema que jamais poderá ser igualado ou porque é uma franquia de gênero e com ideias malucas.


É um blockbuster "OK" assim como foi F1. E se comparado com outros da franquia, melhor que os últimos dois filmes.




35 – Heart Eyes 





Quando o assassino Heart Eyes ataca Seattle, dois colegas de trabalho que estão fazendo hora extra no Dia dos Namorados são confundidos com um casal pelo elusivo assassino caçador de casais. Agora, eles devem passar a noite mais romântica do ano correndo para salvar suas vidas.

Gostei muito da ideia de misturar Terror Slasher com comédia romântica. É uma tendência dos últimos anos slasher's com uma dinâmica diferente junto e Heart Eyes é mais um que consegue fazer humor e brincar com os tropes e clichês do subgênero. 

Aliás, dos dois subgêneros já que é uma comédia romântica também. Gostei do clima de sátira "pastelão". Quase um TODO MUNDO EM PÂNICO.





34 – Dangerous Animals 





Gostei muita da premissa com um Serial Killer que usa tubarões para matar suas vítimas. Jai Courtney está muito bem aqui como o Serial Killer. Você realmente pega raiva dele durante o filme. 

Os dois jovens protagonistas mandam muito bem. Esse filme só não é melhor porque tem muitas situações que são resolvidas de forma conveniente ou por pura sorte. 

Se bem que isso é a graça do cinema. Se for levar tudo ao pé da letra eles nunca iriam sair daquela situação em que se meteram.





33 – Meanwhile on Earth (Pendant ce temps sur terre)





Bom Sci-Fi/drama vindo do cinema Francês. A história acompanha Elsa, que três anos após o misterioso desaparecimento do seu irmão, Franck, durante uma missão espacial, é contactada por uma forma de vida alienígena desconhecida. Esta criatura oferece a Elsa a possibilidade de trazer o irmão de volta à Terra, mas há um preço a pagar por isso: Ela precisa sequestrar quatros pessoas para estes aliens usarem.

Apesar de todo o lado de Ficção Científica, o filme procura explorar mais o drama e trabalha temas como o luto, ausência e perda. Quando perdemos alguém que amamos é um baque muito grande. É muito fácil entrar para um caminho de desolação e depressão profunda. Caminho esse que te faz questionar a sua própria existência e que te faz tomar algumas decisões questionáveis.

O filme me lembra um pouco aquele UNDER THE SKIN de 2013 da Scarlett Johansson. Sou suspeito para falar porque eu gosto muito de histórias que se passam em cidades pequenas. Aqui o clima aflição e tristeza da protagonista parece ser ainda maior na rotina quase simples da cidade e de seu emprego em uma casa de acolhimento para idosos.





32 – We Live in Time





TECNICAMENTE é um filme de 2024, mas abri uma exceção aqui. WE LIVE IN TIME acompanha o encontro surpresa de Almut (Florence Pugh), uma chefe de cozinha espirituosa e indomável, com Tobias (Andrew Garfield), um recém divorciado que tenta colocar sua vida em ordem. Os dois logo provam que pessoas completamente opostas podem encontrar, em suas diferenças, um amor capaz de mudar suas vidas para sempre. No entanto, o que parecia um encontro perfeito, que se transformou em um lar e logo em uma família, é abalado por uma verdade escondida por anos, colocando em risco o amor e todas as conquistas do casal. À medida que a trama se desenrola, Almut e Tobias enfrentam desafios emocionais e precisam decidir se seu vínculo é forte o suficiente para superar as adversidades.

A mensagem de WE LIVE IN TIME é simples, direta e já conhecida. Temos pouco tempo neste mundo. Precisámos passar esse tempo da forma mais proveitosa possível e com as pessoas que a gente mais ama. Criar momentos e deixar o seu "legado pessoal" para elas. É um grande acerto do filme o modo como a história é contada de forma não linear. Isso casa muito bem como nós nos lembramos das pessoas que a gente mais gosta e que não estão mais aqui. Nós não nos lembramos dessas pessoas ou de nossas vidas de uma forma "certinha" como se fosse um filme ou livro. Nos lembramos com fragmentos de períodos e não necessariamente na ordem de como tudo aconteceu. 

A trama conta a história de Almut (Florence Pugh), uma chefe de cozinha e Tobias (Andrew Garfield), um recém divorciado que tenta colocar sua vida em ordem. Tobias tem o sonho de ser pai. Almut não se vê como uma mãe no momento. Um relacionamento que começa com ainda mais dificuldade quando Almut descobre que tem câncer nos ovários e precisa se decidir sobre retirar todo o seu útero ou se resolve manter eles para tentar ter um filho no futuro. 

Você já tem a resposta porque o filme não segue uma estrutura linear. Tanto para saber o que ela decide fazer como também para o seu triste desfecho. Mas como eu disse, o filme não é sobre esse drama e sim como devemos aproveitar o nosso tempo aqui. 


Florence Pugh e Andrew Garfield estão muito bem. Química instantânea na tela entregando grandes atuações.





31 – TOGETHER





Tim e Millie se encontram em uma encruzilhada quando se mudam para o interior. Com as tensões já à flor da pele, um encontro aterrorizante com uma força misteriosa e antinatural ameaça corromper suas vidas, seu amor e sua carne.

É uma ótima ideia usar a codependência como premissa deste body horror estrelado pelo casal da vida real Alison Brie e Dave Franco.

Claro, isso na mão de um Cronenberg seria ainda mais bizarro e possivelmente mais chocante, mas acho esse roteiro funcionou bem com uma "Ótica Millenial". Em tempos que relacionamentos raramente duram ou se quer começam de verdade, a ideia de duas pessoas se tornarem "uma só" unidas pelo amor é cada vez mais utópica. Aqui isso é elevando para um nível ainda mais bizarro.

Tecnicamente o filme é muito bem dirigido. Gostei dos Jump Scares e das tomadas e movimentos inusitados de câmera. Franco e Brie estão muito bem já que são um casal de verdade, então tudo flui de forma mais natural em cena. 


Mais um bom filme de Terror em um ano já genial para o gênero.





30 – Dracula: A Love Tale





O Príncipe Vladimir renega Deus após a perda brutal de sua esposa. Ele então herda uma maldição: a vida eterna. Condenado a vagar através dos séculos, ele tem apenas uma esperança: reencontrar seu amor perdido. 

Boa adaptação do Drácula pelas mãos do ótimo Luc Besson. Ele consegue o balanço perfeito do horror/romance gótico com o apelo "popular" de seus filmes.

É um bom filme para quem quer ver conhecer o personagem antes de ver os clássicos. E que já viu os clássicos tem mais uma versão para a coleção.





29 – MadS





Romain, de dezoito anos, acaba de se formar e faz uma parada na casa de seu traficante para experimentar uma nova droga. No caminho para casa, ele encontra uma mulher ferida e a noite toma um rumo surreal.

Um encontro de CLIMAX de Gaspar Noé com 28 Days Later de Danny Boyle. MadS conta a história de como um surto de raiva se alastrou por uma cidade francesa durante uma noite. Nós vemos o desenrolar disso através do ponto de vista de três jovens em um grande Plano-sequência de 01h30.

O Terror do New French Extremity sempre traz representações extremamente gráficas de violência, gore e conteúdo sexual. E MadS não foge muito isso, apesar de já visto filmes mais pesados desse estilo. 

Aqui a ideia de ser uma grande tomadas "sem cortes" (eles existem, mas são bem camuflados) é a grande sacada do filme. Você vê aos poucos a situação dos personagens e da cidade virando um grande caos com o surto de raiva que vai se espalhando durante a noite.




28 – F1





Em F1, um piloto veterano de Fórmula 1 volta da aposentadoria para ser o mentor de seu jovem colega de equipe. No filme produzido pelo heptacampeão de Fórmula 1 Lewis Hamilton, depois de abandonar as pistas, o lendário piloto Sonny Hayes (Brad Pitt) é convencido a voltar a correr para apoiar Joshua Pearce (Damson Idris), o jovem novato da escuderia fictícia ApexGP. Disposto a todos os riscos, Sonny monta uma estratégia para fazer a equipe se tornar vitoriosa, para isso ele precisará do apoio da comissão técnica e de pessoas influentes do esporte, mostrando que a corrida vai muito além das curvas dos autódromos.

Um filme sobre a F1 "moderna" finalmente saiu do papel. Brad Pitt e o diretor Joseph Kosinski de Top Gun - Maverick entregam um filme competente. Nada espetacular ou memorável como um GRAND PRIX ou recente FORD v FERRARI mas ainda assim um bom divertimento.

É um produto de divulgação da marca e do esporte que visa apresentar esse mundo para quem é de fora. Se você não viu todas as temporadas de DRIVE TO SURVIVE na NETFLIX e quer algo fechado e rápido, esse é o filme para você. Se você é fã vai gostar de algumas homenagens e referências, mas vai ter que relevar muita coisa da história principal. Aí entra o fator "Hollywood" que meio derruba um pouco o filme para mim. E sim, tem vários clichês do subgênero "filme de automobilismo" nesse filme também.

Falando da parte técnica, o filme entrega boas cenas de corrida. O engraçado é que a transmissão do evento hoje em dia já é bem cinematográfica, então tem muitas tomadas que a gente vê em qualquer corrida em um fim de semana na categoria. Ainda acho GRAND PRIX o "sarrafo" para ser batido. Aqui temos várias homenagens para o filme, mas sem ainda o mesmo efeito do filme de 66.


Brad Pitt no seu "modo Lt. Aldo Raine" de BASTARDOS INGLÓRIOS. Aliás, já tem um tempo que ele se apegou nesse tipo de atuação e não larga mais.


Bom filme, mas prefiro TOP GUN - MAVERICK.





27 – 28 Years Later





A dupla Alex Garland e Danny Boyle retornaram para a tão aguardada continuação de 28 Days Later (aqui conhecido como EXTERMÍNIO).


Em 28 YEARS LATER nos vemos o que sobrou do Reino Unido. Uma terra totalmente destruída e isolada do resto mundo. Nós acompanhamos a jornada do jovem Spike que sai de sua pequena vila, uma ilha de pescadores que tem uma pequena faixa de terra que se conecta com o continente quando a maré está baixa.

Sobre a história, gosto do modo como Garland faz uma associação da perda inocência do garoto com o fim do Reino Unido. Boyle reforça isso com sua ótima direção. Edição frenética ao melhor estilo Transportting está de volta. O arco do Spike é muito bom. Adorei a nova dinâmica dos Zumbis que explica por que ainda existem tantos mesmo depois de quase trinta anos após a pandemia.

A parte técnica é fantástica. Boyle foi pioneiro com o digital em 2002. Nesse, o diretor usa muito iPhones para emular aquele estilo do original. Gostei muito das sequências usando a técnica de "Bullet-Time" com os iPhone. Vi que a produção criou um "rig" com vários celulares acoplados ao redor dos atores. Toda cena de morte de zumbi tem esse efeito que fica muito bom na edição final.

Aaron-Taylor Johnsson está apenas OK aqui. O garoto que interpreta o Spike rouba cena. Jodie Cormer está muito bem e a participação de Ralph Fiennes é bem legal. Segundo melhor personagem do filme. E já dando spoilers: o personagem do primeiro filme que é interpretado pelo Cillian Murphy NÃO APARECE AQUI! Ele não é aquele zumbi do trailer, mas provavelmente irá aparecer em uma continuação.

Acho que o maior ponto negativo é ser um filme que quer planejar mais continuações. Um desfecho que mais parece fim de episódio piloto de série do que um fim de um filme mesmo.


É uma boa continuação do original. 





26 – Abraço de Mãe





ABRAÇO DE MÃE é um daqueles raros projetos brasileiros que ganham chance maior de distribuição. Sim, o Brasil pode fazer bons filmes de gênero. Esse é um que abraça o Terror Psicológico e Terror Cósmico no estilo "Lovecraftiano".

Marjorie Estiano interpreta uma bombeira que sofre de um trauma de infância envolvendo um incêndio e sua mãe nos anos 70. Agora em 1996 ela participa de uma operação em casarão que serve de asilo em São Cristóvão no Rio de Janeiro, durante uma forte chuva. Lá ela terá que lidar com uma estranha e bizarra situação envolvendo os internos enquanto relembra seus traumas.

O filme é uma produção brasileira com uma direção de um argentino (Cristian Ponce). Gostei muito da direção de arte e fotografia. Você sente que o casarão é um lugar misterioso e com uma aura sombria. O monstro cósmico é bem desenvolvido na tela. Achei que a produção mandou bem na mistura de efeitos práticos e CGI.

Marjorie Estiano está muito bem aqui. É uma das melhores atrizes de sua geração já tem um bom tempo. Aqui ela desempenha bem a parte dramática de sua personagem com o lado do Terror. Podemos dizer tem a nossa Final Girl brasileira.


Bom ver o Brasil apostando em outros gêneros e sendo distribuído em uma plataforma grande como a Netflix. 





25 – Havoc





Gareth Evans (THE RAID 1 e 2. MERANTAU e Gangs of London) retorna para o cinema de ação em HAVOC. Seu trabalho revitalizou o gênero na última década, sendo influência para franquias como JOHN WICK e EXTRACTION.

Em HAVOC, um detetive (Tom Hardy) é chamado para investigar uma transação de drogas que deu errado. Ele precisa se infiltrar no submundo do crime para resgatar o filho de um político e desvendar uma vasta rede de corrupção que afeta a cidade.

HAVOC é totalmente inspirado no cinema de ação de Hong Kong dos anos 80' e 90'. Influência de filmes do John Woo e Ringo Lam como HARD BOILED, THE KILLER, MY HEART IS THAT ETERNAL ROSE, FULL CONTACT, BEAST COPS, THE LONGEST NITE, HONG KONG GODFATHER e CITY ON FIRE!

Evans "bebe" desta fonte e expande ainda mais seu estilo frenético de ação. Ele é um dos poucos - se não o único - diretores do mundo que consegue usar a "câmera tremida" ao seu favor. Mesmo como ela sendo controlada por alguém com "Mal de Parkison" você ainda consegue acompanhar bem a ação na tela e toda a sua coreografia. A violência e o "gore" estilizado, somado com o uso de armas sempre a queima roupa continuam lá. Tudo isso em um cenário americano. Meio doido ver um filme com esse estilo FORA de Hong Kong.

A única coisa que eu não gostei foi o CGI em algumas sequências no ínicio do filme. Não sei se foi por falta de grana ou pela estética, mas ficaram bem estranhas. Destaque para a cena da emboscada na rua que me lembrou a do THE RAID 2 e a cena na boate que é puro caos. Toda a assinatura do diretor está lá. O final também é outra cena que o diretor mostra toda a sua habilidade. Me lembrou um pouco aquele episódio clássico da primeira temporada de GANGS OF LONDON e aquele tiroteio dentro da casa.


Bom filme que merecia um lançamento no cinema e não limitado ao Netflix.





24 – Ballerina 





BALLERINA é o primeiro spin-off do universo de John Wick no cinema. Aqui seguimos a história Eve MaCarro (Ana De Armas) que faz parte da Ruska Rama (tribo de Ciganos Russos que foi introduzida em John Wick Chapter 3: Parabellum). Eve viu o seu pai ser assassinado por um outro clã de assassinos quando era criança. Agora já adulta e altamente treinada como uma assassina, Eve se depara novamente com o clã que assassinou seu pai e agora ela decide se vingar deles.

O filme é dirigido pelo Len Wiseman (Franquia ANJOS DA NOITE e Duro de Matar 4) e produção dos mesmos envolvidos nos filmes do John Wick. Então espere a mesma qualidade nas cenas de ação e criatividade nos sets pieces. O "Gun Fu" continua muito bem executado. Direção muito boa e que trabalha com calma todas as coreografias na cena.

Outra coisa que eles trabalham bem na história é óbvia diferença física entre homens e mulheres. A Eve é porradeira, mas nunca vai ser mais forte que um homem. Mas o roteiro trabalha bem isso em seu treino já que seu estilo é bem "sujo" já que ela precisa lutar assim para não morrer. Achei muito bom isso já que hoje em dia muitos filmes de ação não pensam nisso.

Mas é nos sets pieces que o filme brilha. Na já clássica "cena na balada" que tem em todo filme do Wick, em Ballerina temos um daqueles "Bares de Gelo". Isso é gera boas sequências de luta. A parte final do filme se passa inteiramente em uma pequena vila europeia onde todos são inimigos da Eve. Aquela dinâmica de videogame e aplicada aqui. Todos os inimigos aparecem em "ondas" como se fosse um jogo Hack and Slash. O set piece envolvendo lança-Chamas é sensacional. É a parte mais "over the top" mas muito bem desenvolvida.

E sim, temos a participação do nosso Keanu Reeves como John Wick. Era preciso na história? Acho que não, mas é sempre bom ver mais do personagem na tela. Quem brilha mesmo é Ana De Armas. Já tinha mostrado todo o seu talento em 007 No Time To Die e aqui repete sua habilidade para o cinema de ação.


BALLERINA é um bom filme de ação no subgênero "One Man Army" (aqui um One Woman Army) e uma boa adição para a franquia John Wick. Espero ver mais da Eve em novos filmes dela ou do próprio Wick.






23 – Final Destination: Bloodlines





Novo capítulo na franquia consegue ser ainda mais criativo e até dar um "Destino Final" para a trama dos filmes. 

Gostei muito da ideia que uma pessoa e sua Premonição de uma tragédia nos anos 60' tenha gerado uma mudança de destino tão grande que a morte tenha que agir contra todas as gerações que surgiram após essas pessoas sobreviverem.

Tecnicamente, todo mundo e todas as tragédias dos outros filmes estão ligadas ao início desse novo filme. Também temos a origem do médico legista que sempre aparece nos filmes e que era interpretado pela lenda Tony Todd. Aliás, sua participação nesse filme é muito bonita e emocionante. É seu último papel no cinema e já muito debilitado por causa do câncer. Sua participação serve não só como despedida do personagem como a do próprio ator. Muito tocante e feita com muito bom gosto.

As mortes do filme são muito criativas e adorei como eles brincam com próprios tropes e clichês da franquia. O filme consegue trazer uma dinâmica diferente para uma fórmula que todos já conhecem. Os momentos musicais são muito bem bolados também e deixam as mortes ainda mais legais. 


Bloodlines é uma boa continuação e talvez encerramento da franquia. Se bem que sempre podemos ter mais uma pessoa enganando a morte no futuro.





22 – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos





O cinema finalmente acertou uma adaptação com a principal família de super-heróis dos quadrinhos. QUARTETO FANTÁSTICO: PRIMEIROS PASSOS consegue achar o tom perfeito dos personagens e das histórias dos quadrinhos. O clima Sci-fi "aventuresco" e os temas de família e união estão perfeitos aqui.

O filme não perde tempo com a origem dos personagens e já estabelecem eles como um grupo que atua neste outro universo há pelo menos quatro anos. Um intro de cinco minutos dá conta de algo nunca foi bem trabalhado nos últimos vinte anos no cinema.

Assim como Superman de James Gunn, o filme não tem vergonha de ser quadrinhos. O clima descontraído das histórias de Jack Kirby e o visual retro futurista da época que os personagens surgiram nos quadrinhos está lá. Tudo muito bem produzido e com uma grande atenção nos detalhes. O design de produção é lindo. O filme me lembra um pouco CAPITÃO AMÉRICA - O PRIMEIRO VINGADOR! Consegue adaptar muito bem o período dessas aventuras clássicas.

Gostei muito do elenco. Ao contrário do que falsamente divulgado, todo mundo tem seu desenvolvimento no filme. Não temos um membro que se destaca mais do que o outro. Todo mundo no tom certo. Gostei muito da Shalla-Bal no filme. Suas cenas de Surfista Prates foram sensacionais. Seu arco é bem desenvolvido e o resultado na tela é muito bom. Aliás, tudo que é relacionado ao espaço no filme é feito com muita qualidade. Me lembrou muito Interstellar de Nolan.

GALACTUS finalmente é adaptado com fidelidade no cinema. Sua presença é ameaçadora antes mesmo de chegar na Terra. Visualmente é impressionante (e olha que vi em uma sessão normal. Imagino que no IMAX o efeito deverá ser melhor ainda). Sua voz faz tremer o sistema de som da sala.


A trilha de Michael Giachinno (LOST Jurassic World) é muito boa.


Faz tempo que a MARVEL não acertava mais de uma vez no cinema com seus projetos. THUNDERBOLTS* e PRIMEIROS PASSOS são bons filmes que resgatam a qualidade do MCU da Saga do Infinito. O Quarteto agora tem um bom filme. A minha única dúvida será como eles serão desenvolvidos no contexto do GUERRA SECRETAS.





21 – Superman





James Gunn consegue entregar o que Bryan Singer e Zack Snyder não conseguiram. Um filme moderno do Superman que respeita o legado de Richard Donner no cinema e boa parte do personagem nos quadrinhos sem ter nenhum tipo de vergonha disso.

James Gunn é um cara que conta histórias com muito coração. Foi assim na trilogia dos Guardiões da Galáxia na Marvel, e não poderia ser diferente com o Super-Homem.

David Corenswent entrega um ótimo Super-Homem. Jovem e que acabou de perder a sua primeira batalha, você vê que ele tem vontade de melhorar. Sem melodrama vazio que o Snyder fez em Man Of Steel. Rachel Brosnahan como Lois tem uma ótima química com Corenswent. Nicholas Hoult como Lex Luthor é outra boa surpresa. É uma versão mais séria, mas ainda flerta um pouco com o Luthor clássico do Gene Hackman.

O filme tem boas cenas de ação. De novo, Gunn consegue ser divertido como nos filmes do Donner, ter o ritmo e a ação do Snyder e ter o coração que já mostrou em seus próprios filmes.


Bom início de universo. Só espero que o público ainda tenha interesse nesses personagens.





20 – V/H/S: Halloween





A franquia mais legal e "alternativa" do Terror mainstream retorna mais uma vez com outra produção muito boa. Já virou uma "tradição" de Halloween ter um filme V/H/S. E nesse ano o tema foi o próprio Halloween com ótimos curtas.



"DIET PHANTASMA"


Esse é o curta que se passa entre os outros curtas, servindo como intermissão. Nos anos 80', uma corporação planeja lançar um novo refrigerante com um sabor jamais visto: Sabor POLTERGEIST! (Toma essa. FANTA Mistério). Nós acompanhamos o teste do produto com várias pessoas. Um dos melhores curtas do ano e um dos melhores curtas de intermissão de toda a franquia.



"Coochie Coochie Coo"


Lacie e Kaleigh são duas estudantes do High School (nosso ensino médio) que, apesar da idade, resolvem sair na noite de Halloween para pegar doces (Trick or Treating) uma última vez. Elas encontram três garotos que avisam que a "Mommy" vai pegar elas por serem muito velhas para item atrás de doces no Halloween. Mais tarde elas encontram uma casa meio afastada no bairro. Lá dentro elas se deparam com a tal da "Mommy" e outras coisas bizarras.


Gostei do clima desse curta. O trabalho de efeitos práticos e maquiagem aqui é muito bom.



"Ut Supra Sic Infra"


Curta que se passa na Espanha e dirigido pelo ótimo Paco Plaza da franquia REC°.


Após um massacre em uma festa de Halloween, o único sobrevivente é questionado pela polícia. O curta mostra a polícia indo para o local junto com o sobrevivente para reconstituir os acontecimentos. Enquanto vemos isso, temos flashs da festa e do que realmente aconteceu. A festa aconteceu em uma mansão de uma falecida médium que prestava serviços para pessoas ricas e influentes da sociedade de Madrid. Ela conectava essas pessoas com entes queridos.


Com certeza um dos melhores curtas do ano. Paco já fez seu nome no cinema de Terror com o já clássico REC° e aqui entra uma ótima história. Gostei muito de uma tomada que acontece no clímax do curta. É uma aula de cinema Found Footage.



"Fun Size"


Dirigido por Casper Kelly (Too Many Cooks do Adult Swin), é um dos curtas mais engraçados e criativos.


Apesar de não serem mais crianças, um grupo de jovens adultos resolvem sair na noite de Halloween para pedir doces. Eles se deparam com uma casa onde acham um balde de doces aparentemente desconhecidos. E no balde existe um alerta: UM DOCE POR PESSOA!


Quando um deles resolve pegar mais de um, o balde "sequestra" o grupo e os leva para dentro da "fábrica" onde os doces são feitos.


Esse curta é bizarro e bem na pegada louca do diretor. Quem ja viu "Too Many Cooks" já sabe como funciona o humor perturbado do diretor. Gostei muito da metalinguagem aqui também, já que duas pessoas do grupo estão fantasiadas de "cameraman de filme de found footage".


"Kidprint"


Tim Kaplan é dono de uma loja de eletrônicos que fornece um serviço de vídeo de identificação de crianças com o propósito de ajudar a polícia em casas de desaparecimento ou sequestro. Tim é frequentemente assombrado pelas notícias de desaparecimento e mortes de crianças e jovens na cidade. Ele quer proteger suas duas filhas durante o Halloween, então decide acompanhar elas com câmera durante as celebrações.


No Halloween, Tim é informado que uma garota sumiu. Ele decide retornar para sua loja para um vídeo de identificação da jovem desaparecida. Mas ao chegar na loja ele descobre uma terrível verdade sobre um dos seus funcionários!


Para mim foi o melhor curta deste ano. Perturbador e sinistro em muitos momentos, já que tem crianças envolvidas. Muitas cenas me lembram vídeos de filmes Snuff. Só acho que os glitchs e pequenos erros de câmera nessa edição foram muito falsos. Se fosse mais perto de vídeos daquela época e não como filtros de edição, esse curta seria ainda mais real. 


"Home Hunt"


Por anos, Keith sempre montou uma "Casa dos Horrores" no quintal de sua residência na época do Halloween junto com seu filho e esposa. Agora mais velho, seu filho não quer participar mais disso já que muitos colegas da escola tiram sarro dele e de seu pai. Keith insiste para que seu filho participe uma última vez. Os dois resolvem ir em um antiquário para comprar itens de decoração. Lá, Keith acha um vinil que aparentemente tem músicas temáticas de Halloween.


Durante a noite de Halloween, Keith resolve tocar o vinil para seus convidados, mas ele não sabia que a música faria a sua decoração de terror da Casa dos Horrores se tornasse "Real".


Bom curta para encerrar o filme deste ano. A maquiagem e os efeitos práticos são o destaque aqui.





19 – Good Boy 





Good Boy traz uma história de fantasma contada pela perspectiva de um cachorro. Mais uma ideia inusitada do cinema de Horror em 2025. Pensei que seria algo mais clichê e sem muitas surpresas, mas gostei muito da direção e da trama e sua mensagem.

Indy é o astro canino do filme. Como muitos disseram aqui: "O Daniel Day-Lewis dos cachorros". E com razão, já que ele entrega uma ótima atuação. Seus semblantes de medo e curiosidade são muito bons e te faz comprar o resto do filme.

Gostei da abordagem e da história. Animais de estimação veem o mundo com outra perspectiva. Dizem que alguns conseguem até perceber quando seus donos irão partir. Colocar isso no filme com um contexto de Terror foi uma ótima ideia.





18 – The Life of Chuck





Mais uma adaptação de uma obra de Stephen King pelo diretor Mike Flanagan. O filme explorará a vida de Charles Krantz (Tom Hiddleston) de forma inversa através de três parte que se interligam. Começando com sua morte precoce aos 39 anos devido a um tumor cerebral, a narrativa revela os eventos que moldaram sua vida, culminando na casa de sua infância, envolta em mistério e supostamente assombrada. Cada parte desvenda um aspecto crucial da jornada de Krantz, oferecendo uma reflexão sobre afirmação da vida e transformação de gênero.

A espera. Não devemos cair na armadilha da espera em nossas vidas. Seja na espera de algum plano, alguma ação ou até de outra pessoa. Mas principalmente na espera do fim!

Se nós somos esse universo de multidões, devemos experienciar esse universo da melhor forma possível. Pode ser uma mensagem clichê e cair na área comum de autoajuda e coisas óbvias que sempre são ditas... mas é a verdade. A única certeza que temos é que só temos esse período curto nesse mundo. Seu "universo" é gigantesco, porém curto. 


Temos que aproveitar esses últimos segundos do calendário cósmico.


Mike Flanagan é o cara que sempre explorou muito bem a parte humana em seus trabalhos voltados para o terror. Aqui ele aproveita ao máximo o texto do Stephen King. Os contos que não são de Terror do autor sempre me pegam mais do que aqueles que fizeram o King ser quem ele é. A VIDA DE CHUCK é mais um deles, mesmo tendo uma mensagem batida.


Mas a vida é isso mesmo. Um universo de clichês. E temos pouco tempo para viver eles!





17 – Bugonia





Dirigido por Yorgos Lanthimos, Bugonia é uma comédia e sátira que envolve uma dupla de homens conspiracionistas que sequestram a empresária de uma grande companhia com a crença de que ela é uma alienígena que planeja destruir o planeta Terra inteiro.

Assim como EDDINGTON esse filme do Yorgos Lanthimos mostra muito bem como teorias da conspiração podem ser perigosas, principalmente para pessoas que já perderam a esperança ou que estão passando por alguma dificuldade na vida. 

Só que ainda é um filme do Lanthimos. E por ser um filme dele estava CLARO que o plot twist do filme iria acontecer. Mesmo assim a direção dele continua impecável. Jesse Plemons e Emma Stone sempre entregando ótimas atuações.





16 – Uma Batalha Após A Outra





Em Uma Batalha Após a Outra, Leonardo DiCaprio interpreta Bob Ferguson, um ex-revolucionário que sai da aposentadoria para enfrentar a missão mais importante de toda a sua vida: resgatar a sua filha. Tendo vivido a juventude como integrante de um grupo de guerrilha, agora a sua fracassada vida o atinge em cheio com frustrações e tristezas quando o mais cruel de sua longa lista de inimigos retorna após passar 16 anos desaparecido e resolve sequestrar a garota. Diante de tamanha urgência, ele reúne seus antigos companheiros e embarca em um implacável desafio em que precisará correr contra o tempo para salvar quem ele mais ama. 

Com certeza um dos melhores filmes do ano, mas ainda não sei se é o melhor filme do Paul Thomas Anderson. Eu sou um dos poucos que não conseguem comprar muito esse P.T.A. "mais engraçado". Sempre gostei muito das obras mais dramáticas dele.

Tecnicamente, o filme é espetacular. Direção e fotografia impecáveis. Atuações muito boas. É um dos favoritos do próximo Oscar e espero que leve muito prêmios porque gosto muito do P.T.A.


Mas não é um filme que me pegou muito!






15 – The Ugly Stepsister (Den stygge stesøsteren)





THE UGLY STEPSISTER é a releitura sombria da história clássica da Cinderela. Dessa vez, a trama acompanha a meia-irmã da princesa conhecida dos contos de fada. Elvira (Lea Myren) vive com a sua família em um poderoso reino onde poucas coisas são tão importantes quanto a beleza. Quando ela encontra a dose de determinação certa para conquistar o coração do príncipe, medidas extremas serão tomadas em meio a uma competição implacável pela perfeição física. Contra sua linda meia-irmã, Elvira recorre aos mais mirabolantes esquemas para cativar o pretendente e o status dos sonhos.


Uma das melhores versões de CINDERELA já feitas!


Emilie Blichfeldt traz uma versão "Cronenbergiana" deste conto de fadas que prefere examinar a podridão humana e como nós nos vendemos, mudamos e até nos automutilamos para nos enquadrar nas nossas próprias regras e dinâmicas sociais.

Como todo body horror que se preze, esse filme vai fundo na discussão social usando o gore e a violência contra o corpo de forma gráfica e chocante. O filme vai fundo nisso. É aquele filme que é melhor não ver comendo alguma coisa.

Assistindo esse filme eu acabei lembrando mais uma vez de DEMÔNIO DE NEON do Nicolas Winding Refn. Um dos personagens diz que "A beleza não é tudo. É a única coisa que importa". No contexto do filme, isso funciona bem. Sempre foi assim. Ou você tem beleza, ou simplesmente não tem.






14 – O TELEFONE PRETO 2 





Scott Derrickson e Joe Hill retornam com uma ótima continuação. Um filme que expande a parte sobrenatural do primeiro filme. BLACK PHONE 2 é um ótimo remake de A HORA DO PESADELO sem ser um filme da franquia do Freddy Krueger.

Mason Thames e Madeleine McGraw dão um show de atuação novamente. Madeleine agora tem mais protagonismo nessa história, mas os dois carregam muito bem a trama. Ethan Hawke retorna com o vilão que agora usa os mesmos poderes da dimensão que o derrotou no primeiro.

Gostei muito da ambientação da sequência em um acampamento durante o inverno. Muita vibe de O ILUMINADO. Adorei os novos personagens e como a trama se conecta muito bem com o primeiro filme.






13 – Nouvelle Vague





Grande carta de amor do Richard Linklater para a Nouvelle Vague e para o Jean-Luc Godard. Filme que conta os bastidores do primeiro longa de Godard: ACOSSADO! O Linklater faz um filme no mesmo estilo das produções da Nouvelle Vague.

Godard era um dos que ainda não tinha dirigido seu primeiro filme. Nomes como Truffaut, Chabrol e Brialy já tinha feitos seus filmes, enquanto Godard continuava seu trabalho como crítico da Cahiers du Cinéma e dirigindo alguns curtas.

Linklater mostra como Godard seguiu seus princípios e ideias do movimento. A Nouvelle Vague era algo mais real e fora dos padrões de Hollywood. Era algo mais espontâneo e sem as amarras técnicas da indústria. Em muitos momentos ele é mostrado como alguém que parece que não sabia o que estava fazendo no set e até arrogante. Seus embates com os membros da equipe e principalmente com a Jean Seberg são hilários. Mas era um diretor seguro sobre suas ideias de como o filme deveria funcionar e de como o seu processo criativo deveria fluir.

Para quem gosta de cinema e da Nouvelle Vague o filme é recheado de referências e aparições de diretores, roteiristas e atores da época. É o equivalente dos VINGADORES mas para quem é fã de cinema francês e tem uma assinatura do MUBI.

Guillaume Marbeck interpreta Godard no filme. Ele é perfeito tanto no visual como nos trejeitos e na voz. Zoey Deutch como Jean Seberg está muito bem. Só achei o Aubry Dullin como o Belmondo meio fora do tom. Visualmente ele parecido com o ator, mas a atuação lembra nada a do astro de ACOSSADO.


Filme para quem gosta de bastidores e da arte de fazer cinema.



12 – The Long Walk





O diretor Francis Lawrence (Constantine e Jogos Vorazes) e o roteirista e também diretor JT Mollner (do ótimo Stranger Darling) fazem uma ótima adaptação do primeiro livro de Stephen King

Em um futuro distópico, os EUA estão mergulhados em uma crise econômica e social. Para inspirar e elevar a moral do povo, cem garotos devem caminhar por rodovias e estradas dos Estados Unidos acima de uma velocidade mínima estabelecida em um percurso anual que reúne milhares de espectadores em um jogo doentio. 

Para se manter na disputa, eles não podem diminuir nem um pouquinho o ritmo e nem parar. Cada infração às regras do jogo lhes confere uma advertência. Ao final da disputa, o vencedor ficará rico e terá direito a um desejo.

O roteiro e a direção deixam o expectador dentro da caminhada. Você realmente sente o cansaço dos participantes. Você se interessa pelo drama e a motivação de cada um deles. A história faz um óbvio paralelo com o conflito dos EUA no Vietnã (King escreveu o a história na época da guerra. Ele tinha dezenove anos), mas ele também faz todo sentido para o atual momento político do próprio EUA. Um império em decadência que pode ir para lados obscuros como os que são mostrados nesta história.

O elenco está muito bem, principalmente a dupla principal que é interpretada pelos atores Cooper Hoffman (filho do grande Phillip Seymour Hoffman) e David Johnson (que estava muito bem em ALIEN Romulus). A dinâmica dos dois me lembrou muito a dos protagonistas de CONTA COMIGO. David me lembrou muito o jovem River Phoenix. Mark Hamill como o vilão da história aparece pouco, mas quando surge em cena sua presença é marcante e ameaçadora.

A violência é extremamente gráfica. Todas as cenas de morte são chocantes e sem censura. E você se importa com elas assim como cada personagem sente. Você está junto com eles na jornada. Você não tem muitos detalhes de como os EUA chegou naquela situação, mas entende o momento de desesperança. A fotografia é espetacular. A paisagem rural e desoladora é muito bem capturada nas lentes do diretor de fotografia.

A LONGA MARCHA é mais uma adaptação competente do trabalho de Stephen King. Para quem pegou raiva das opiniões políticas dele recentemente, provavelmente irá odiar esse filme e essa história. Para quem está preocupado com o momento atual, esse filme é um recado que tudo pode piorar ainda mais.




11 – The Shrouds




David Cronenberg retorna com um filme inspirado no seu período de luto após o falecimento de sua mulher. E como todo filme do diretor você já pode esperar um texto riquíssimo e um debate muito interessante sobre sobre a morte nos tempos atuais.

Karsh (Vicent Cassel) é um importante empresário de tecnologia. Inconsolável desde a morte da sua esposa Becca (Diane Kruger), Karsh inventa uma tecnologia revolucionária: um sudário equipado com câmaras que permitem aos familiares manter o contacto visual com os seus entes queridos falecidos (!!!). Essa mortalha consegue fazer uma varredura do corpo. Você pode acompanhar todo o processo de decomposição do copo em seus mínimos detalhes através de um aplicativo que mantém um feed ao vivo do túmulo. 

Uma noite, vários caixões são profanados, incluindo o de Becca. Karsh tenta encontrar os responsáveis, descobrindo nesse processo uma conspiração que colocará a sua empresa em risco.

Cronenberg embarcar em uma trama que discute pesar, luto, traição, “objetificação física”, voyeurismo e conspiração. Acho o que mais me assusta nesse filme é que tudo que é apresentado nessa história pode facilmente acontecer agora. Vivemos em uma sociedade totalmente conectada e fascinada com sua própria imagem. Nós cultuamos pessoas e suas imagens. Nós vivemos em uma realidade que nosso "rastro digital" pode ficar para posteridade. Ao mesmo tempo que vivemos nessa hiper-realidade, temos poucas conexões realmente significativas. E quando perdemos aquelas poucas pessoas que a gente mantém essa conexão, é totalmente compreensível alguém querer ter elas por perto. Isso já aconteceu em outras culturas. É só der humano não conseguir se despedir de quem ama. Agora imagine isso no contexto atual da nossa civilização.

Mas claro que o Cronenberg pega essa ideia e sobe o nível de bizarrice ainda mais alto. A maneira como ele usa o sexo e fetichismo que impulsiona ainda mais o projeto do Karsh. Outro ponto interessante é como isso pode ser usado para obter vantagens nesse "presente/futuro" tão próximo. Como toda tecnologia ainda é frágil e pode ser muito bem manipulada. 

Muita gente está criticando o filme, mas acho que boa parte de quem não gostou do filme deve ter ficado muito desconfortado com a maneira que o diretor trabalha esse lado da objetificação. Querendo ou não, todos nós somos um pouco vaidosos, especialmente hoje em dia. Vaidade, a busca pela notoriedade e uma possível imortalidade, mesmo que isso traga algum tipo de prejuízo. Tudo é válido neste novo mundo. Todo mundo quer ser o seu próprio faraó. 

O elenco está muito bem. Cassel como o empresário que não consegue esquecer o culto pelo corpo de sua falecida esposa. Diane Kruger interpretando a esposa e a cunhada com um estranho fetiche sobre conspirações. Guy Pierce também com uma ótima participação. Não é um Terror. Aliás, o filme tem uma PÉSSIMA sinopse e vende muito mal a trama. Acho que é um dos motivos que ajudou na recepção crítica dividida sobre o filme. É mais um filme para refletir como iremos lidar com a morte em tempos onde temos uma superexposição nossa antes de morrer.





10 – Bring Her Back





Outro trabalho fantástico dos irmãos Phillippou (Talk To Me). BRING HER BACK trabalha novamente alguns temas vistos em Talk To Me, mas aqui eles conseguem deixar tudo ainda mais desesperador e desconfortável para o espectador. 

A trama acompanha dois meios-irmãos que se tornam órfãos e são colocados no meio de um ritual oculto por sua nova mãe adotiva.

Gosto de como eles amarram a parte sobrenatural com todo do drama dos irmãos que estão enfrentando o luto recente. Interessante ver a mãe adotiva explorar traumas vividos pelo irmão mais velho com o pai falecido para conseguir chegar no seu objetivo. Quase uma versão moderna e bizarra de "João e Maria". Os diretores conseguem falar desses temas sem soar forçado como acontece muitas vezes nos filmes americanos. Acho que isso ajuda ainda mais embarcar no "desconforto" da trama.

O filme também te deixa aflição em muitas cenas. Existe uma cena com um menino e uma faca que é impossível você não virar o rosto. E olha que eu estou acostumado com gore no cinema de terror e com o meu trabalho no hospital que me força a ver alguns casos bem ruins.


Os irmãos Phillippou entregam outro bom filme. Apesar de ser só o segundo filme, mostram que tem o total domínio de direção e cuidado com o roteiro para tratar assuntos "espinhosos".






09 – Predator: Killer of Killers





PREDATOR: Killer of Killers já pode ser considerado a melhor continuação de Predador. Acho que só tem o mesmo problema de PREY que é não ter sido lançado no cinema.


Killer of Killers é uma animação que conta três embates diferentes entre humanos e Predadores em forma de antologia. O primeiro é "The Shield" onde uma guerreira Viking chamada Ursa e seu filho estão atrás de vingança contra o líder de uma tribo Krivich. Esse líder assassinou o pai de Ursa quando ela era criança e, no meio do encontro deles surge o Predador e tudo muda.

Gostei muito da ambientação aqui. Estamos acostumados com o Predador em lugares quentes como florestas tropicais. Pensei que eles iriam responder essa dúvida, mas isso não é abordado aqui. Tem uma sequência sem cortes da Ursa que é muito bem-feita nesse curta. A luta final no lago congelado é uma ótima ideia.

O segundo se chama "The Sword" se passa no Japão de 1600' com dois irmãos. Um se tornou um lorde Samurai e o outro um Ninja renegado que busca vingança por ter sido derrotado em um duelo promovido pelo pai deles quando eles eram crianças. E claro, tudo isso muda com a presença do Predador.

A animação aqui é fantástica. Tudo muito bem produzido. Dois estilos de luta com espadas indo contra o caçador mais mortal do universo.

O terceiro curta que se chama "The Bullet" é um dos mais criativos de toda a franquia. Nele acompanhamos um jovem mecânico chamado Torres que sonha em ser piloto de avião nos anos 40' em plena segunda guerra mundial. Depois que aviões americanos encontram uma estranha nave no céu, Torres finalmente tem a chance de se provar como um piloto. Ele só não esperava ter que ser contra um Predador.

Esse é o mais criativo porque é literalmente TOP GUN com Predadores. O Predador aqui usa sua nave para caçar os humanos. O que eu mais gostei é que ele não usa laser ou outro tipo de munição para derrubar os aviões. É sempre algo quase "tribal" tipo um uma rede metálica gigante que corta todo o avião ou um grande arpão que entra dentro do avião para matar o piloto. Muito inventivo tanto do ponto de vista visual como de narrativa já que propõe algo diferente. Não é só um embate de aviões como a gente já viu em outros filmes.

E para finalizar, nós temos um curta que reúne essas três histórias anteriores. Esse é o melhor desse filme. Não vou falar mais nada porque não quero dar spoilers. Muito bem construído e entrega um ótimo desfecho e abre uma gama de possibilidades para futuras continuações.

A animação segue aquele estilo já consagrado dos filmes do SpiderVerse, do vencedor do Oscar deste ano (FLOW) e da série ARCANE do Netflix. E como é um filme do Predador você pode esperar muita violência e gore. É uma animação, mas eles não pegam leve. E a vantagem é que dá para fazer muita coisa que em Live Action seria muito difícil. Seria um projeto caríssimo de se filmar, mas aqui dá para desenvolver essas ideias sem limitações técnicas e orçamentárias.

Dan Tratchenberg que dirigiu PREY e Predator: Badlands trouxe boas ideias e revigorou de vez a franquia. Aqui ele expande ainda mais a mitologia e trata o material do universo expandido com respeito. 




08 – Mission Impossible: The Final Reckoning





Possível encerramento de uma das melhores franquias da história do cinema. Tudo aqui é elevado para um nível de tensão e suspense absurdo. Acho que desde BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS eu não ficava tão tenso e apreensivo em uma sessão de cinema.

Em todo filme da franquia o mundo está correndo risco, mas você sempre tem aquela sensação de "Ahh, mas o Ethan vai conseguir". Aqui você realmente não tem isso. Tudo que o Ethan e sua equipe precisa fazer parece, com o perdão da "piadoca", IMPOSSÍVEL de se concretizar.

Só a missão do submarino já basta para te deixar nervoso. E mesmo depois dessa missão absurda ainda temos o "acerto final" que usa o conceito da "bomba-relógio" e eleva isso até a enésima potência. Eu estava roendo minhas unhas enquanto acompanha o desfecho da franquia.

Tom Cruise se pendurando em avião no auge de seus SESSENTA E DOIS ANOS DE IDADE eleva ainda mais o seu status de MAIOR ASTRO DO CINEMA DE AÇÃO DE TODOS OS TEMPOS! Você pode não gostar de suas excentricidades, da sua religião maluca e de como ele é na sua vida familiar. MAS VOCÊ TEM QUE RESPEITAR O SEU TRABALHO NA TELA! 

Vi muita gente reclamando que o filme "perde muito tempo" fazendo recaps de outros filmes. Para mim funcionou muito bem e não atrapalhou a minha experiência. Do jeito que estavam falando parecia que eram várias cenas. Isso não é verdade! A franquia sempre fez isso, principalmente nos últimos filmes. Acho que é uma "birrinha" injustificável de pessoas que estão procurando "pelo em ovo". Outra coisa que eu gostei é como o filme "amarra" outros pontos e personagens de outros filmes. O lance do "Pé de Coelho" do terceiro filme e um personagem do primeiro de 1996 foram muito bem aproveitados aqui. 

THE FINAL RECKONING encerra muito bem a franquia (por enquanto???). Acho difícil continuarem com outro ator que não seja o Tom Cruise e com uma trama melhor do que foi apresentada nesses últimos quatro filmes. Obrigado Tom Cruise e cia. por entregarem o verdadeiro cinema de entretenimento e Blockbuster que essa temporada do ano pede.




07 – Nosferatu





Robert Eggers entrega outro grande filme em sua curta filmografia. Nosferatu é uma aula de como se deve fazer um remake. Ele traz o seu próprio estilo que já foi consagrado nos seus filmes anteriores e ainda consegue pegar mais conteúdo do livro original do Bram Stoker e alguns elementos do remake do Herzog de 1979.

A parte técnica é impecável! Trabalho de câmera, composição de frames, transição de cenas, criação da atmosfera gótica e os "jump scares". Tudo muito bem feito. Elenco entregando ótimas atuações. Bill Skarsgård e sua versão de Nosferatu está sensacional. O trabalho de voz dele e sua presença em cena são o grande destaque. O modo como Eggers revela ele aos poucos é muito bom.

Lilly-Rose Depp é outra que faz um ótimo trabalho. Presença de cena, principalmente quando ela está "possuída" é sensacional. Willem Dafoe como Van Helsing (me desculpem, mas eu não vou chamar ele pelo nome do personagem no filme. ELE É O VAN HELSING) está muito bem. Nicholas Hoult é outro que entrega um bom trabalho.

O modo como o Eggers desenvolve a trama após a saída do Nosferatu do castelo é perfeito. Ao contrário do que muita gente disse, achei que ele acrescentou de forma positiva nesta versão. Não achei arrastado.




06 – Sorry, Baby





Em Sorry, Baby, após um evento traumático, Agnes se vê sozinha enquanto todos ao seu redor seguem em frente como se nada tivesse acontecido. Agnes é uma professora de literatura em Fairpoint, uma faculdade de artes no Estado de Nova Inglaterra. Ela vive só e isolada numa casa no campo junto com seu gato. Um dia, sua amiga Lydie resolve visitá-la vindo de Nova York e compartilha a notícia de que está grávida. Esse reencontro traz de volta memórias e momentos do passado, como a época em que ambas eram pós-graduandas com sonhos e ambições na própria Fairpoint.

Seguir em frente depois de um trauma doloroso é extremamente difícil. E muitas vezes "ficar parado" poder ser sim uma resposta adequada. Um filme difícil e que para muita gente pode gerar gatilhos dolorosos.

Eva Victor tem uma brilhante estreia aqui. Ela escreveu, dirigiu e protagonizou essa história sobre trauma e como lidar com isso pelo resto da sua vida. Você vai deixar isso definir como vai viver? Como lidar com seus amigos seguindo com suas vidas normalmente enquanto parece que você está "preso" em seu trauma?





05 – Weapons





Incrível como um comediante consegue fazer dois trabalhos fantásticos no gênero do Terror. BARBARIAN de 2022 já tinha sido uma ótima surpresa. Agora Zach Cregger retorna com o brilhante WEAPONS (A Hora do Mal aqui no Brasil). 

WEAPONS acompanha o desaparecimento de 17 crianças – exceto uma – de uma mesma classe que misteriosamente, ao mesmo tempo, fogem de suas casas de madrugada. Sem nenhum sinal de arrombamento ou sequestro, a cidade inteira demanda respostas sobre o que pode ter acontecido naquela noite. Quem ou o que poderá estar por trás deste estranho mistério? Enquanto os pais lutam para entender o que aconteceu, as autoridades buscam por informações pela pequena cidade.

O roteiro se desenvolve ao melhor estilo Efeito Rashomon (para você mais "massavéio" ao estilo PULP FICTION do Tarantino). Aos poucos e por variados personagens, o expectador vai descobrindo o paradeiro das crianças e causa do desaparecimento delas. Tudo muito bem amarrado e com uma ótima direção.

O trabalho de câmera aqui é ESPETACULAR! Tracking Shots, câmera fixas em portas e outros objetos e vários "jump scares" muito bem pensados e construídos. Gostei muito do humor do filme. Tudo muito bem feito e vem encaixado na trama. Nunca é forçado ou fora do tom.


WEAPONS é um dos melhores filmes do ano. 2025 foi carregado nas costas pelo gênero do Terror.






04 – Eddington 





Eddington se passa em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na trama, uma desavença entre o xerife (Joaquin Phoenix) e o prefeito (Pedro Pascal) de uma pequena cidade do Novo México chamada Eddington rapidamente transforma o local em caos ao estalar um estopim. Vizinhos são colocados uns contra os outros, deixando para trás a serenidade e tranquilidade que aparentemente predominava na cidade.

Ari Aster tentar responder como nós chegamos neste estado de paranoia e divisão social com uma história em pequena cidade do Novo México durante a pandemia de 2020.

O diretor retrata de forma fiel, sarcástica e com muito humor negro como a sociedade americana (você pode considerar o mundo inteiro, mas aqui estamos focados no EUA) foi totalmente corroída pela internet. A divisão política sempre existiu, mas nos últimos dez anos o mundo inteiro mergulhou profundamente em uma espiral de paranoia conspiratória e comportamental.

Ari Aster mostra muito como isso afetou todo mundo, não importa o lado. Das teorias e posições extremas da direita até o excesso e muitas vezes com falta de lógica da justiça social e progressista da esquerda.

A última hora do filme é espetacular. Um turbilhão de acontecimentos. O filme consegue ser uma comédia de humor negro e um Thriller Neo-Westwern ao mesmo tempo. Elenco fantástico e um Ari Aster que entrega outro grande filme na sua filmografia!




03 – Sinners





SINNERS não é só um dos melhores filmes do ano. É o melhor filme da filmografia de Ryan Coogler até o momento. E olha que ele tem Fruitvale Station, Pantera Negra e CREED em seu currículo!

SINNERS é uma obra original com diversos elementos culturais. É aquela ótima mistura de várias referências. Um remix com Blues, Terror "Gótico" e muita coisa da cultura negra do sul dos EUA, mais precisamente do Delta do Mississipi e seu Blues.

Adorei como Coogler pega algo lendário que por si só e que sempre foi fonte para muitas histórias e serviu de inspiração para muita coisa na cultura pop. A lenda de que Robert Johnson, famoso guitarrista de Blues que teria vendido a sua alma para o Diabo em troca de sucesso e talento musical. A diferença que aqui neste filme isso ganha outros contornos. 

Coogler não pega exatamente essa história, mas cria uma nova mitologia usando vampiros. Aqui a lenda diz que se você tiver um talento fora do comum com a música você pode ter uma conexão com espíritos do passado e futuro... mas infelizmente também pode atrair o mal. (Precisamente vampiros neste caso).

Nós acompanhamos dois irmãos gêmeos (interpretados pelo ótimo Michael B. Jordan), veteranos da Primeira Guerra Mundial e ex-capangas de Al Capone que resolvem retornar para o Mississipi e recomeçar a vida abrindo um bar. Eles resolvem convidar o talentoso primo Sammie para tocar no bar em sua inauguração. Infelizmente o seu talento acaba atraindo vampiros que desejam aproveitar de sua habilidade musical para poder ter contato com espíritos de seus antepassados.

Tecnicamente o filme é espetacular. Filmado em IMAX e Panavision, sua fotografia é linda! Nada de digital aqui. A diferença de qualidade para outros filmes é gritante aqui. Nas mãos de um ótimo diretor como Coogler você vê a qualidade em cada frame. Outra coisa legal é como ele brinca com o formato da tela. Toda vez que ele vai para o aspect ratio de 1.43:1 do IMAX é sinal que algo importante vai acontecer. No clímax do filme tem uma transição muito legal nesse formato. Não vi no IMAX mas tenho uma TV de 55' polegadas aqui em casa. Toda vez que entra nesse formato o resultado visual é muito legal. É um verdadeiro deleite para os olhos!

Mas o grande destaque é a parte musical. Trilha sonora muito bem escolhida e produzida também. Mais uma vez a parceria do diretor com Ludwig Göransson é muito boa. Incrível como Ludwig cria ótimas faixas de blues e chama gente de muito talento para trabalhar nelas. Artistas de calibre como Jerry Cantrell do Alice in Chains, Lars Ulrich do Metallica gravando algumas baterias e o rapper Don Toliver. Grandes nomes do Blues como Cedric Burnside, Bobby Rush, Tierinii Jackson (Southern Avenue) e a LENDA Budy Guy que até faz um papel no filme. Com certeza é a melhor trilha do ano e difícil terá alguma melhor nesse ano.

O filme tem um dinâmica que lembra um pouco UM DRINK NO INFERNO. Temos uma história em que o sobrenatural só começa na sua hora final em um lugar fechado (bar) e com vampiros. A parte do gore é muito bem-feita e com bons jump scares. A cena que o Sammie está cantando e acaba entrando em contato com vários espíritos do passado e do futuro é muito legal. Da cultura africana, passando pelo Rock até o Hip-Hop. Achei muito criativa e muito bem construída. 


SINNERS é uma ótima produção original e já é um dos melhores filmes de 2025. Fico triste por não ter visto isso no cinema. O filme teve uma recepção de crítica e uma bilheteria considerada muito boa para um filme original. O filme tem uma cena no meio dos créditos que pode gerar uma continuação interessante. 






02 – O Agente Secreto





O Agente Secreto, filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, se passa no Brasil de 1977 onde Marcelo (Wagner Moura), um homem de 40 anos que trabalha como professor especializado em tecnologia, sai da movimentada São Paulo e vai para Recife. Ele tenta fugir do seu passado violento e misterioso, com a intenção de começar uma nova vida. Ali, ele chega na semana do Carnaval, então logo a paz e a calmaria da cidade vai se esvaindo, e com o decorrer do tempo percebe que atraiu para si o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, além de Marcelo estar sendo espionado pelos seus vizinhos, vê que a cidade que achou que o acolheria ficou muito longe de ser o seu refúgio.

Kléber Mendonça Filho entrega um Thriller Neo-noir ambientado em Recife nos anos 70. KMF consegue misturar vários elementos e referências que vão desde Brian De Palma até Coppola, mas tudo no seu estilo já conhecido. A marca KMF de Cinema é "Porreta"!

O diretor é um dos poucos que conseguem fazer uma linguagem de fora com a nossa cultura. E não falo só de visual. O texto, direção e atuação. Ele consegue sair do estilo engessado da Globo filmes.

A ambientação da Recife dos anos 70 é fantástica. Claro, a cidade, principalmente o seu centro, mantém muito da arquitetura clássica, então é mais fácil. Mas todo o resto com carros, figurinos e outras peças. Ele realmente te transporta para aquela época.

Gostei muito da trama. Ao contrário de quem gosta de falar mal das tramas que acontecem na época da ditadura, aqui a história não envolve diretamente o regime. Se passa naquele contexto. Até tem a sua importância, mas é algo diferente.

Wagner Moura entrega mais um grande trabalho. Ele consegue ser natural e ao mesmo tempo ter uma cadencia meio "hollywoodiana" na sua atuação. É outro que foge muito bem da fórmula novelista de cinema que tanto dita as produções brasileiras.


Não sei se chega no Oscar, mas é uma produção que merece sua atenção. Cinema brasileiro feito com muita qualidade.





E o MELHOR FILME DE 2025 é...














01 – SENTIMENTAL VALUE (Affeksjonsverdi)





Joachim Trier (A PIOR PESSOA DO MUNDO) retorna com um drama familiar e universal.


Por ser um tema pessoal eu escolho ele para ser o número um desta lista.


SENTIMENTAL VALUE retrata o relacionamento conturbado entre um pai, suas duas filhas e as feridas complexas que se estendem por décadas no cerne da família. Diante do frágil laço paternal, o carismático Gustav (Stellan Skarsgård), pai distante de atriz Nora (Renate Reinsv) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), decide que seu próximo longa será o seu filme de retorno aos holofotes. 




Sabendo o quão pessoal e importante é o projeto, o cineasta oferece à filha Nora, uma estabelecida atriz de teatro, o papel principal da trama. Quando ela recusa a oferta, Gustav entrega a personagem para uma jovem e entusiasmada estrela de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning), que rapidamente percebe que, sem querer, se envolveu num drama incrivelmente íntimo (fora e dentro das telas). 

Assim, as irmãs precisam lidar com a relação atravessada e complicada com Gustav, enquanto uma atriz americana se instala no centro dessa complexa dinâmica.




Incrível como o Trier aborda a questão da ausência paternal de forma real e sem exageros dramáticos. Para mim é um tema pessoal já que me vejo um pouco na personagem da Nora. Eu tenho o mesmo relacionamento (ou a falta dele) com o meu pai. Diferente da família do filme, ele teve outra família, mas nos últimos anos ele sempre tentar se reconectar comigo. E como a personagem do filme, eu também não faço muita questão de ter uma comunicação com ele.

O filme mostra aos poucos os motivos do distanciamento do pai para com suas filhas. Mostra também como isso afetou elas, principalmente a mais velha que teve que ser muito forte pela sua irmã, mas que acaba gerando traumas em sua vida adulta.




Eu sempre achei meio "exagerado" alguns dilemas vindos de outras pessoas que tem pais divorciados, mas ultimamente com um pouco de autoterapia eu confesso que isso me afetou também, nem que seja de forma indireta. O filme acerta perfeitamente esses dilemas. Achei bem real e pertinente na abordagem. 

O trio principal está muito bem. Ótimas atuações. A participação da Elle Fanning como o "elemento externo" do drama é outro ponto positivo.





Agora vamos com a lista de PIORES FILMES de 2025. Aliás, uma lista bem “curtinha”.





04 – The House Was Not Hungry Then





Enquanto procura por seu pai afastado, uma jovem mulher invade uma casa vazia no campo onde todos os visitantes desaparecem. Agora ela deve evitar o homem que se passa por um corretor imobiliário que atrai as vítimas para dentro. 

O filme é mais um exercício de estética sobre conteúdo. Ele até tenta trazer uma reflexão interessante (uma casa é realmente assombrada ou são os seus moradores?), mas acaba esbarrando no próprio ritmo "moroso"




03 – Spin the Bottle





Um grupo de adolescentes em uma pequena cidade do Texas, desencadeia uma força mortal depois de jogar o famoso jogo da garrafa em uma casa abandonada onde ocorreu um terrível massacre.

Eu sei que existem filmes que não se deve levar a sério, mas esse aqui não dá para passar pano em nenhum quesito. 

Ele tenta ser um Slasher clássico do fim dos anos 90/início dos 2000' mas falta absolutamente tudo. Trilha sonora errada. Clima e tom errados. Péssimas atuações e efeitos especiais que mais lembram a novela dos Mutantes da TV Record


Nem a Ali Later e o Justin Long salvam isso!




02 – The Old Guard 2





Continuação do filme de 2020 que foi um daqueles "hits da pandemia". 


The Old Guard 2 infelizmente tem alguns problemas técnicos e uma trama que serve só com um grande prólogo para um terceiro filme. Você quase que sabe como tudo vai se desenrolar no próximo filme, então fica a sensação é que dava para pegar a trama dos dois filmes e fazer mais enxuto em um filme só. A montagem e direção do filme são bem ruins. Sei que o primeiro e segundo filme não tem um grande orçamento, mas você espera o mínimo de qualidade. Eu não ligo muito para esses detalhes e gosto de filmes "baratos", mas acho que a Netflix tem um pouco mais de grana para bancar essa franquia. 

O que salva aqui é a Charlize Theron. Para mim continua sendo a melhor atriz do cinema de ação. Ela entrega muito nas cenas de luta. Apesar da direção fraca, algumas cenas de luta são muito boas. E a Charlize é sensacional. A última luta contra a personagem interpretada pela Uma Thurman foi bem legal. Muito bom ver o embate de duas ícones do cinema de ação. Uma Thurman usando uma Katana mais uma vez deu um pouco de saudade de ver ela em mais um filme do Tarantino.


Espero que o terceiro filme tenha uma direção mais firme e um roteiro melhor e mais ágil.





E o PIOR FILME DE 2025 é...













01 – GUERRA DOS MUNDOS (Da Amazon)





É com certeza o pior filme do ano e um dos piores filmes já feitos na história? Sim!


H.G. Wells provavelmente se revirou no seu túmulo vendo isso do além? Sim!


É a pior adaptação de um livro clássico já feita? Sim!


Mas meu irmão em Cristo, fazia muito tempo que eu não dava tanta risada vendo um filme.


Tudo o que acontece nesse filme é um absurdo. O CGI é horrível e o roteiro é maluco. Provavelmente vai ser uma fonte de memes para o resto de nossas vidas.


Querendo ou não, já fez história!






Feliz 2026!



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